Por que alguns prédios na orla de Santos entortaram?

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Por que alguns prédios na orla de Santos entortaram?

Fundação mau feita em Santos, causou inclinações de 50 cm a 1,80 m entre a base e o topo de edifícios. 

Se você já teve a oportunidade de visitar a cidade de Santos e caminhar pela sua belíssima orla, provavelmente deve ter reparado em alguns prédios inclinados. Realmente eles chamam bastante atenção, alguns até dão a impressão que vão encostar no edifício ao lado.

O motivo

O motivo pela inclinação dos prédios foi a fundação rasa realizada na sua construção. Elas foram fincadas a menos de dez metros, para sustentar os empreendimentos em um terreno instável, onde os fragmentos mais sólidos de rocha estão a mais de 50 metros de profundidade. 

Sabia que Santos possui o segundo pior solo do mundo para construção? A cidade fica atrás apenas da Cidade do México que afunda de 15 a 20 cm por ano, por ter sido construída em cima de um terreno profundo onde antes existia um lago. 

Mas fique tranquilo, tudo foi resolvido em Santos. Em 2004, com a participação do poder público e com estudos técnicos de universidades como USP e Unisanta, pensou-se em soluções para os prédios, que continuaram habitados. Os estudos levaram 8 anos e a reparação teve seu início em 2012 e término em 2014. Todos os edifícios, felizmente foram recuperados numa ação que custou R$ 1,5 milhão por prédio. 

A solução

A solução para realinhar os edifícios foi utilizar macacos hidráulicos. No caso do conjunto Núncio Malzoni, cada prédio pesava em torno de 6.500 toneladas, sendo assim foram necessários 14 equipamentos hidráulicos para levantar as estruturas. A cada dia, elas subiam cinco milímetros. Os vãos eram preenchidos com chapas de aço, que serviram de suporte quando se alcançava o prumo e os macacos eram retirados. Em seguida, foram construídas estruturas de concreto que ligaram as vigas antigas às novas estacas, essas, apoiadas em uma camada de solo rochoso a 55 metros de profundidade. 

As camadas nada firmes de areia e argila do solo, somadas à pressão exercida pelo excesso de construções, continuam a entortar as construções à beira-mar. Desde 2013, a administração municipal da cidade afere a inclinação média de 65 edifícios na quadra do mar e apontam que eles inclinam 1 cm por ano.

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